sexta-feira, 17 de junho de 2016

Dia 44 - Samos - Sarria - 13 km



O percurso foi curto mas o terreno acidentado e os trechos com muita lama fizeram o tempo se arrastar.


Até que tinham pueblos no caminho, mas nada de botecos abertos. Na verdade nem abertos e nem fechados. O jeito foi tocar direto.



 A chuva começa a rarear e com isso também o tira e veste capa. Me preocupo muito quando caminho nestas condições.  A gente sua sem perceber por causa da capa, e o frio faz com que a sede não seja tão evidente. Bebo mais água por medo de desidratar. E desidratar fazendo esse tipo de atividade é encrenca! Além disso as dores musculares aumentam.







Chegamos em Sarria com frio... A Anna comprou uma papete para dar uma folga para os dedinhos. (ela não tem as manhas de calçar havaianas com meias) A Cláudia foi na missa. Eu bebi vinho e vou rezar um Pai Nosso em alemão para ver se funciona. Ontem rezei em português e o sol não deu as caras.


Ah! Conhecemos um casal animadíssimo de Santa Catarina.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Dia 43 - Fonfria - Samos - 18 km


Genteeeeee que derrota acordar as 6 hs e ver que a chuva persistia. Reunião extraordinária para decidir entre ficar, chamar um táxi ou sair quando a chuva ambrandasse.  Meia hora depois, bem alimentadas, secas e descansadas, a Anna Maria de capa nova, a Cláudia de banho tomado e eu... sei lá de mim. Vou seguindo como dá.

Bem... meia hora depois saímos na chuva fininha. Hora aumentava... hora diminuía. .. Cheguei até a ver  o sol por uns 5 minutos. Mas foi só.


  Alguns trechos com lama, mas nada muito grave.  Fiz poucas fotos pois a chuva poderia danificar meu celular. Pena.


A chegada a Samos é com a visão do espetacular Monastério.  Vale o sacrifício.  Hoje vou rezar em um tom mais bravo para a chuva passar. Já deu.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dia 42 - Cebreiro - Fonfria - 12km

Chegar ao Cebreiro foi relativamente fácil. Dividir a subida em dois dias foi uma jogada de mestre. Mas o Caminho cobrou caro e esperteza. Passar a noite lá foi duro, e sair foi realmente penoso.




A chuva rala não era o suficiente para nos prender. Mas, foi só sair para ela cair com força. O vento contra e gelado me lembrou muito o início da Via de la Plata.  Um consolo era que havia um pueblo a pouco mais de 3 kilômetros.



A gente chegava, bebia algo quente, a chuva estiava um pouco e lá íamos nós. E aí ela vinha de novo. Rasteira, de lado, molhando botas e pernas. Mãos congeladas.  Até que não deu mais para suportar. Chato ter que parar sendo que nenhuma das 3 estava cansada.  Mas já estava sem sentido aquilo. A capa da Anna rasgou. Minhas botas estavam fazendo espuma de tanta água. A Cláudia molhada. E ficar doente não está nos planos.


A coisa estava tão brava que até um cachorro enorme apareceu no café em que paramos e roubou o chapéu de um peregrino. Mesmo! Levou! Ainda bem que não foi o meu.
Paramos em Fonfria e vamos tentar recuperar estes kilômetros amanhã e depois.  Agora é secar as roupas, as botas e torcer para o tempo amanhecer melhor. Tomara!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Dia 41 - La Faba - Cebreiro - 6km



Curtinho, mas um subidão medonho. Que nada... foi tranquilo. Sério. Subir o Cebreiro devagarinho é um passeio. As paisagens serão melhor entendidas nas fotos. De babar.







Chegamos ao Cebreiro por volta das 10:30 horas. Uma fina névoa cobria tudo... que lindo! Fomos logo ao albergue ver se conseguiríamos camas baixas nos beliches.





 Como viajamos em 3, sempre acaba sobrando cama alta para uma. E essa uma sempre sou eu! (elas até  dizem "deixa que hoje eu fico em cima"... mas, a Anna é a mais velha.  A Cláudia anda de noite. Ou seja: eu danço e não aceitaria outro arranjo.) Não. Subir e descer de beliche durante a noite depois de um dia caminhando não é coisinha à toa. Pode parecer mas não é!




Chegando ao albergue, vimos que só abririam às 13:00hs... e o tempo foi mudando. Um ar gelaaaado e a névoa ficou  parecida com gelo seco. Na sequência um vento e uma chuvinha fina. E nada do albergue abrir. Peregrinos foram chegando e se aboletando na entrada para se proteger do frio.  Improvisamos uma fila com as mochilas e corremos para um bar.




Quando finalmente o albergue abriu (13 em ponto, limpo grande e moderno ) vimos que a ordem de entrada numerada  é que define a cama.  Não dá pra escolher.  A Cláudia veio logo correndo avisar que não haviam portas nos boxes de banho. Na ampla e linda cozinha só tem 1 panela. Rimos muito de tudo,  compramos um queijo e fomos beber vinho.



Comi polvo, tomei um banho e um balde de sopa galega para me aquecer. A chuvinha fina virou chuva forte com ventania! Agora estou aqui no alto do meu beliche gelado escrevendo para o blog. Vôtecontá!


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Dia 40 - Trabadelo - La Faba - 15 km


Já viram um trio brilhando? Eu vi hoje!
Saímos perto de 8:00 de Trabadelo sabendo que os 12 primeiros kilômetros seriam café com leite, mamão com açúcar, moleza como tirar pirulito de criança. Se bem ultimamente a criançada não tá mais ligada em pirulito e sim em celulares e tablets.  É mais um trocadilho que se perde.





Mas, voltando ao caminho... a coisa começaria fácil. Em compensação os 3 últimos km seriam o início da temida subida ao Cebreiro. O primeiro terço mais difícil. O bicho papão. O coisa ruim das ladeiras acima.




Cada uma no seu ritmo sem perder as outras de vista. E fazendo quantas paradas fossem necessárias. Sussa!
Vou falar por mim. Parecia outra trilha e não a que fiz ano passado. Subir esta montanha em 2 partes me permitiu saborear toda beleza  desta trilha que é uma das mais exuberantes que já fiz.  Seja pelas altas encostas, ou pela cores, pelo rio, aromas, canto dos pássaros, chão de pedras, raios de sol que penetram na copa das árvores em vários trechos ou pelos peregrinos com os rostos suados e sorridentes arfando e querendo ser cúmplices daquele momento especial. Algo como uma enorme equipe chegando em primeiro lugar e recebendo medalhas. Difícil explicar. Mas não parecia o trecho que eu fiz no ano passado.




Ano passado subi de um tiro só e não absorvi nada disso. E hoje, de bônus, ainda tem o autêntico e bem cuidado albergue de La Faba que é dirigido por alemães.  E La Faba é acolhedora. E tem  restaurante com preço justo e comida deliciosa.
A palavra para hoje é encantamento.  Que maravilha poder subir o Cebreiro desta forma.
Alguém me perguntou a idade do trio. Eu tenho cinquenta e pouco. A Cláudia uns poucos a menos e a Anna uns poucos a mais. Somando tudo e dividindo por três sobra nada que se aproveite! Rsrsrsrs